segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Estamos com fome de amor


 Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: " Digam o que disserem, o mal do século é a solidão." Pretensiosamente digo que assino em baixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
 Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos " personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão apenas dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
 Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a sentir, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós .
 Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número de comunidades como: " Quero um amor pra vida toda!", " Eu sou pra casar!" até a desesperançada " Nasci pra ser sozinho".  Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
 Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, para chegar a escrever estas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje me dia é feio, démodé, brega.
 Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
 Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
 Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada. O que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que não posso me aventurar a dizer pra alguém: " Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho a certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida." 

Antes idiota que infeliz.



Arnaldo Jabor

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Já perdi as contas,


de quantas lutas perdi brigando comigo mesma. Quantas vezes me feri e desisti de me enfrentar, quantas vezes tive medo de me encarar.
Brigas que não sei se tenho chance ou se simplesmente tenho medo de ganhar.

Quando fico acordada à noite,


me pergunto se realmente tenho vivido. Será que é assim pra todo mundo?
Ou será que algumas pessoas têm mais talento pra viver do que outras ?! Ou será que há pessoas que nunca vivem? Mas simplesmente existem. Então, o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma.
Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram, mas por dentro nunca nasci.

Talvez você não entenda,



me machuca dizer isso. Eu quero que você fique, mas talvez seja melhor se você for. Então me deixe.

Nunca quis,

ser exemplo de nada.
Acho que cada um deve saber o que está fazendo. Eu, pelo menos, sei o que faço. Sou contente da forma que vivo e talvez vocês não entendam isso, mas no final, o que importa? Eu não me importo com vocês.

Sei exatamente,





como é querer morrer, como machuca sorrir, como você tenta se encaixar mas não consegue. Como você se fere por fora, tentando matar o que tem por dentro.

Odeio morar dentro de mim,




... esse ser que eu sou, que não me faz feliz e nem me deixa dormir.  Esse ser que está sempre em outro lugar, no lugar de sentir todas essas coisas.
 No único lugar de sempre,esperando, doendo, cheio de si nos dois sentidos. Mas é arrogância de novo.
Querendo odiar, querendo entender. Querendo doer mais que todo mundo, querendo não ser. Mas não é ódio e nem nada.
 É tristeza. Muita. E uma vontade enorme de sair daqui. Uma vontade minúscula perto do tamanho da minha tristeza. Eu que sempre vou embora de todos os lugares, acabo sempre chegando a conclusão que a tristeza é o único lugar do qual jamais se vai embora.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Redescobrindo.

Acredito que todos nós temos um lado oculto, que mais cedo ou mais tarde vem a tona. Eu sou um pouco diferente, tenho muitos lados ocultos que vem a tona diariamente.
Sabe quando você de repente se sente perdido, sem saber pra onde ir, sem saber sequer o que quer pra sua vida. Você pode pensar : " mas você tem tudo."
Amigos, família, amor, emprego, faculdade. Mas posso ir mais fundo, NÃO ME SATISFAZ.
Muitas vezes sinto o mesmo vazio de antes, e fico sem entender o porque de tudo. Me perco dentro de mim, machuco pessoas, confundo sentimentos. Não sei por onde ir, é como se eu estivesse cega e perdida.
Preciso de ajuda.


Fim.