Era noite. Eu irritada com a sua demora, ele aflito com o atraso. Aquela ao meu ver não seria uma de nossas melhores noites.
Enfim, ouvi o som da sua moto romper o silêncio da rua. Quis ficar feliz, mas estava irritada demais pra isso. Quando o vi estacionar a moto em frente a varanda, não fiz menção de ir abraçá-lo. Ele como sempre, respeitou a minha distância sem queixar-se da carência que aquela atitude causava a ele.
Saímos pela rua de mãos dadas, nenhuma palavra pronunciada, nenhum carinho, nenhum afeto. Nada, absolutamente nada. Aquela situação toda já me incomodava. Ele é o único que não quero magoar, o único que não quero fazer triste, o único que quero preservar, cuidar, fazer feliz. E, isso não quer dizer que ele mereça. Mas faço isso, porque ele, dentre tantos outros, conseguiu tirar de mim o melhor. Ressuscitar os sentimentos adormecidos.
Resolvi que iria quebrar o silêncio. Ele precisava saber o que me incomodava. Diminui os passos, até que ele percebesse que eu queria que parássemos na rua. Ao cessar dos passos, eu olhei para ele e foi impossível não abrandar a ira ao olhar pros seus olhos, sempre tão gentis, tão amáveis, compreensivos. Mas antes que eu dissesse algo, ele olhou fundo nos meus olhos e disse " Eu te amo, diga o que eu preciso fazer pra que você entenda isso." Fiquei sem ação. Mas para não deixar transparecer que aquilo tinha me desarmado, logo respondi " Você precisa mudar." Aquilo não pareceu intimidá-lo. " Diga o que preciso mudar. E eu mudarei. mudo o mundo inteiro por você se for preciso. Diga o que tenho que mudar, e eu mudo agora apenas para ter a certeza de que você sempre será minha."
Não consegui responder. Batalha vencida mais uma vez. Abracei-o, e procurei sua boca. Nos beijamos. Ali, naquela rua escura, sem nos preocuparmos com nada, com ninguém. Eramos apenas nós e o nosso amor. E nada podia estragar aquele momento. Sorri pra ele, olhei nos seus olhos e disse " Eu te amo, e não há ninguém no mundo que eu deseje mais que você."
Continuamos caminhando. E sei que ele sabia, que mais uma vez havia me vencido.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Vícios
Pensando bem, recuperada não seria a palavra correta a ser usada. A minha insatisfação permanece, me persegue sempre que penso que dei a volta por cima.O mito da fênix, me assusta. Estaria eu, todas as vezes renascendo das cinzas apenas para ser consumida por minhas próprias chamas novamente, e novamente, e novamente ?
Sinceramente, todas as vezes em que tento compreender-me, afundo-me mais no meu abismo interior. Porque sou tão complexa? Porque tão extremista? Tão platônica? Tão idealista?
Porque sempre procuro o inverso, quando posso ter o verso de tudo que quero. Minha vida resume-se em, querer o que não posso ter, quem não posso ser, o que não posso alcançar. Os fantasmas que antes julguei terem me deixado, dormem comigo todas as noites e são eles a embalar meu sono, velar meus sonhos.
Sonhos. Engraçado como os meus sempre se transformam em pesadelos.
Viver mais me parece um tormento, uma busca incansável por resposta, uma busca por mim.
E todas as vezes me vem a mente a mesma - e simples - pergunta : " Um dia terá fim ? "
Porque sempre procuro o inverso, quando posso ter o verso de tudo que quero. Minha vida resume-se em, querer o que não posso ter, quem não posso ser, o que não posso alcançar. Os fantasmas que antes julguei terem me deixado, dormem comigo todas as noites e são eles a embalar meu sono, velar meus sonhos.
Sonhos. Engraçado como os meus sempre se transformam em pesadelos.
Viver mais me parece um tormento, uma busca incansável por resposta, uma busca por mim.
E todas as vezes me vem a mente a mesma - e simples - pergunta : " Um dia terá fim ? "
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
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