Eu sinto como se meus fantasmas nunca fossem parar de me atormentar. As vezes penso que não entendi o conceito de resiliência que me foi ensinado na faculdade. É como se eu não conseguisse ultrapassar as fases, viver os lutos. Todas as vezes que olho pra trás, é como se pudesse sentir os pedaços que me foram tirados. As promessas que fiz e não pude cumprir, as promessas que me fizeram e não se cumpriram. É triste se prender desta forma, mas o que fazer se pra mim não há outro meio de viver.
Sobrevivo. Dia após dia, eu sobrevivo.
Tenho atropelado os meus sentimentos, passado por cima da dor, enterrado os medos, as agonias e as frustrações. Mas da mesma forma que um cachorrinho sempre procura o osso que enterrou, eu também tenho desenterrado as coisas em mim.
Não é por querer, eu não quero viver assim. Eu sempre quis ser feliz, sempre quis fazer alguém feliz e ser feliz ao lado de alguém. Mas estou muito mais atolada nas minhas emoções do que eu imaginava.
São músicas, palavras, livros, imagens, lembranças, lugares. Estou carregada de impressões, de marcas, de lacunas. As portas não foram totalmente fechadas em mim, e sempre é possível sentir a ausência de alguém que eu não queria que tivesse ido embora mas foi. Aí eu me vejo lembrando sempre destas pessoas, lembrando das conversas, das risadas e a dor que antes já estava amena, volta a latejar e a pulsar no meu coração.
Antes, chorar resolvia. Hoje, nem chorar eu consigo mais. Endureci diante de tudo isso, e esqueci minhas emoções, esqueci meus sentimentos e desaprendi a acreditar nas pessoas.
Pouco a pouco, o buraco negro que há em mim, tem me sugado pra dentro dele. Sugado tudo de bom que eu ainda conseguia manter, tudo de bom que havia conseguido construir.
Mas ser sozinha não é a solução ainda. Eu não consigo conviver com a ideia de ter que me isolar ainda mais pra tentar curar o que ainda há em mim.
Eu preciso das gentes pra sobreviver, preciso dos sorrisos, preciso das cores do mundo. Sem elas, eu só seria mais alguém tentando não morrer, nem matar a bondade que há dentro de si.
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