Era noite. Eu irritada com a sua demora, ele aflito com o atraso. Aquela ao meu ver não seria uma de nossas melhores noites.
Enfim, ouvi o som da sua moto romper o silêncio da rua. Quis ficar feliz, mas estava irritada demais pra isso. Quando o vi estacionar a moto em frente a varanda, não fiz menção de ir abraçá-lo. Ele como sempre, respeitou a minha distância sem queixar-se da carência que aquela atitude causava a ele.
Saímos pela rua de mãos dadas, nenhuma palavra pronunciada, nenhum carinho, nenhum afeto. Nada, absolutamente nada. Aquela situação toda já me incomodava. Ele é o único que não quero magoar, o único que não quero fazer triste, o único que quero preservar, cuidar, fazer feliz. E, isso não quer dizer que ele mereça. Mas faço isso, porque ele, dentre tantos outros, conseguiu tirar de mim o melhor. Ressuscitar os sentimentos adormecidos.
Resolvi que iria quebrar o silêncio. Ele precisava saber o que me incomodava. Diminui os passos, até que ele percebesse que eu queria que parássemos na rua. Ao cessar dos passos, eu olhei para ele e foi impossível não abrandar a ira ao olhar pros seus olhos, sempre tão gentis, tão amáveis, compreensivos. Mas antes que eu dissesse algo, ele olhou fundo nos meus olhos e disse " Eu te amo, diga o que eu preciso fazer pra que você entenda isso." Fiquei sem ação. Mas para não deixar transparecer que aquilo tinha me desarmado, logo respondi " Você precisa mudar." Aquilo não pareceu intimidá-lo. " Diga o que preciso mudar. E eu mudarei. mudo o mundo inteiro por você se for preciso. Diga o que tenho que mudar, e eu mudo agora apenas para ter a certeza de que você sempre será minha."
Não consegui responder. Batalha vencida mais uma vez. Abracei-o, e procurei sua boca. Nos beijamos. Ali, naquela rua escura, sem nos preocuparmos com nada, com ninguém. Eramos apenas nós e o nosso amor. E nada podia estragar aquele momento. Sorri pra ele, olhei nos seus olhos e disse " Eu te amo, e não há ninguém no mundo que eu deseje mais que você."
Continuamos caminhando. E sei que ele sabia, que mais uma vez havia me vencido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário