terça-feira, 20 de novembro de 2012
Conto de amor V
As vezes ela sentia vontade de gritar. E ao mesmo tempo desejava ser invisível, ou sumir, desaparecer. Pensava que sumir fosse a solução para aquela dor no seu peito, será? Já havia se escondido uma vez. Sabia o que fazer, como ficar sozinha. Sabia como manter as pessoas longe. Mas era aquilo mesmo que ela queria?
Então, sem mais nem menos, a imagem dele aparecia na sua mente. Seu sorriso. E ela sorria também. E sentia vontade de chorar. E de gritar. Aos quatro cantos do mundo que aquele vazio era a falta que ele fazia. Aquela dor era a saudade, batendo na porta. Entrando sem ser convidada, e se instalando como se nunca mais fosse sair de lá. Sentia necessidade de tê-lo por perto. E sentia que aquele vazio não poderia ser preenchido por nada, por ninguém. A necessidade que ela tinha era específica.
Nenhuma outra pessoa poderia fazer aquele sentimento sumir. Apenas ele. Era da presença dele que ela precisava, era do cheiro dele que ela sentia falta.
Era enlouquecedor sentir-se assim. "Deus, estou ficando maluca. Trás ele pra mim. Me leva pra ele. Não sei, mas acaba com esse sofrimento. Eu não estou suportando mais." Pedia todas as noites antes de dormir. Suplicava, implorava, chorava.
Sentia uma mão enorme segurando seu coração, apertando, tornando-o pequenino. Uma angústia sem fim. Amor. Era isso que sentia. Um amor avassalador, gigantesco, capaz de percorrer o mundo atrás de um sorriso, de uma voz, de um carinho.
As vezes, ela só queria encostar no ombro dele e chorar. Queria poder ouvir um "eu te amo". Queria sentir um abraço apertado. "Eu só queria que essa dor passasse. Só queria ter você comigo, aqui."
E, o dia que parecia "feliz" se desfez. Essas crises estavam se tornando cada vez mais frequentes. Estava cada dia mais difícil conter o sentimento. Estava difícil continuar longe. "Confie em mim", imaginou que ele diria isso e sorriu novamente.
"Não pode me ouvir agora, mas eu confio. Confio mais em você do que em mim mesma. E vou esperar. Vou segurar a dor, vou ser forte, vou aguentar. Por você, por mim, pelo nosso futuro juntos."
E tudo que ela mais queria naquele momento era poder correr e abraçá-lo.
Carla Lucena
20/11/2012
Pequeno desabafo.
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