Essa semana estava em casa depois de chegar do trabalho, como de costume assisti tv com o maridão, falamos sobre o dia e as várias banalidades do mundo e então chegou a hora de dormir. Diferente dos demais dias, eu deitei na cama e fui invadida por lembranças. Muitas e muitas lembranças. Lembrei com saudades de uma pessoa que amei e que eu tive que deixar passar. Talvez por medo de lutar, talvez por no fundo saber que não era pra ser, enfim, deixei passar. E algo diferente aconteceu. Desde a separação, vocês acompanharam isso aqui, eu passei por muitos altos e baixos. Eu chorei copiosamente por dias, eu fiquei brava, eu fiquei magoada, eu achei que havia superado mas não superei... nossa, foram muitos altos e baixos mesmo. Eu achei que eu fosse ser obrigada a conviver com esse tormento dentro de mim até o findar dos meus dias, era uma forma de me culpar pelo que aconteceu e de penitência também.
Na verdade, eu acredito que o que faltava em mim era perdão. Eu não me perdoava pelo que fiz, não houve um dia em que eu não precisasse de muito tempo e esforço para dormir. Foram dias difíceis.
Mas nesta noite, especialmente nesta noite, algo diferente aconteceu. Sou cristã, e não sei se contei isto por aqui, ficará para uma próxima, conversando com Deus eu pedi muito que Ele cuidasse para que eu conseguisse liberar perdão e superar de fato este momento triste da minha vida e da vida do E.
Estava na cama, lembrando dos momentos e de toda história que construi com ele e dentro destas lembranças eu encontrei o perdão que busquei. Diferente das outras vezes, as lembranças não me machucaram mais, não me fizeram chorar mas me deixaram feliz e em paz.
Eu vi que embora tudo tivesse dado errado, embora os dois tivessem saído machucados - ele, eu sei, bem mais que eu- continuar sofrendo não era a solução mais eficaz para o problema. Eu precisava me perdoar pelo que fiz e pedir que o Deus que curou minha ferida curasse a ferida dele também.
Hoje, eu queria dizer que estou curada. Curada das mágoas que cultivei, dos medos, da tristeza e de tudo que me fazia permanecer num estado de profunda depressão emocional e espiritual.
Descobri que quando tudo muda, a gente precisa entrar na dança e acompanhar os passos. Deus é um ótimo dançarino, e eu escolhi deixar Ele me conduzir pela música que Ele mesmo escolheu.
Beijos de luz.
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